09 abril 2012

A flor do lado de lá - Roger Mello





Edição de 1999
Global Editora 
Tem gente que já conhece o animal que aí está, na capa, mas tem gente que ainda não — por isso, me isento de contar o que é. De fato, o divertimento deste livro é descobrir a Sua identidade, caro leitor! Pois Roger Mello criou uma personagem ambivalente, com traços e cores de cartum, exagerando algumas características, deixando encobertas outras, que, às vezes, torna-se quase impossível descobrir onde estão os olhos ou as orelhas. Dá para ver que tem pêlos ou patas com grandes unhas? Pode ser um mamífero, então? Que seja... Na hora de colocá-lo “em ação”, o autor vai deixando mais evidente como são suas patas ou onde está a boca.
Na sequência das páginas, a influência do desenho animado é uma marca muito forte; e a imagem consegue congelar as posições mais engraçadas e mais escancaradas do estranho animal. Seu humor também oscila de alto e baixo, entre o estado mais alegre, espantado, esperançoso, derrotado e, novamente, entusiasmado, surpreso, sonhador e verdadeiramente sem forças... Por duas vezes, o pequeno personagem parece perceber a presença do leitor — no início, com ares de irrevogável tédio, como quem pergunta: “O que é que ‘tá’ olhando, nunca viu?” e já no fim de sua desventurada história, como que pego no meio do movimento, de repente, virado numa estátua, mas aí já são muitas possibilidades de interpretação: Gulp! Hein? Que foi?
Os enquadramentos da página não estão fixos. A cada nova cena, o olho-câmera de Roger se aproxima e afasta-se do personagem, ao mesmo tempo em que vai cruzando três pontos de vista: (1) um plano que permite ver tanto o animal, quanto a flor de pétalas vermelhas e brancas; (2) um plano em perspectiva, quando o expectador vê somente o cálice verde da planta e a borda da ilha do pequeno mamífero pouco mais distante; e (3) um contra-plano que inverte este último. Como o personagem, não pára quieto, estica para cá, pula, deita e rola no chão, talvez seja mais fácil detectar as três relações espaciais pela presença da água que encobre a base de ambas as ilhotas, apenas de uma ou de outra.
Todas as páginas sempre trazem uma surpresa, mas surpresa maior acontece quando o campo de visão é aberto para o leitor e somente o leitor compreende a situação tragicômica em que o pobre animal se meteu... Mas (como sempre), isso não é tudo.

Tema principal Comportamento
Temas abordados Equilíbrio Ecológico , Olhar ao Redor , Valorizar o que Está Perto
Temas transversais Ética
Interdisciplinariedade Artes , Língua Portuguesa
Atividades para o Professor
Levantar hipóteses sobre o título.
Compreender a história.
Encontrar formas de ajudar a anta chegar até a flor.
Criar balõezinhos para a fala das personagens, inclusive a baleia.
Criar outro final para a história.
Saber mais sobre o autor.
Sugestão para professores




Imagens do livro
















Produção de texto



Um comentário:

  1. Amo este livro! É inteligente, divertido, inusitado. Curti muito esta atividade, copiei e vou adaptar para o trabalho do AEE (Atendimento Educacional Especializado).

    Abraços!

    Michele :)

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