01 abril 2013

É mentira




É MENTIRA (conto popular)

 

Era uma vez, em algum tempo, um Rei que tinha uma filha. A Princesa se orgulhava de ser uma grande mentirosa e de nunca dizer a verdade. O pai não gostava dessa fama da filha e fez um decreto:
“Quem contasse uma mentira maior que as mentiras de sua filha e ainda fizesse ela dizer a verdade ganharia metade de seu reino e a mão da Princesa!”
Muitos homens tentaram. Todos queriam ganhar metade daquele vasto reino e ainda se casar com a Princesa que, apesar de mentirosa, era linda que dava gosto de ver. Mas ninguém conseguia. A bela Princesa parecia imbatível.
Bem, morava próximo ao reino, três irmãos muito pobres. Os rapazes decidiram tentar a sorte. O caçula quis ir também, mas os dois mais velhos não deixaram. Eles é que iriam tentar vencer a Princesa. E foram. Chegaram no castelo e o primogênito se apresentou ao Rei e sua filha dizendo:
- Tenho tanta força nos dentes que consigo mastigar uma barra de ferro como se fosse água! Acredita nisso, bela Princesa?
E a Princesa fez pouco caso:
- Claro que acredito! Eu mesmo tenho um touro que mastiga ferro, prata e ouro! Depois ele cospe tudo em forma de jóias! Os meus anéis, pulseiras e tiaras foram todos cuspidos por ele!
O rapaz baixou a cabeça. Mas o irmão do meio tomou a palavra:
- Meu irmão tem força nos dentes, mas eu tenho força nos braços! Levanto com um braço duas carroças cheias de ouro e com o outro mais duas cheias de prata. A linda Princesa acredita nisso?
E a jovem suspirou:
- Não vejo dificuldade em acreditar nisso! Outro dia, esse meu touro sozinho trouxe para terra vinte navios repletos de ouro, prata e diamantes!
O irmão do meio ainda insistiu:
- Isso não é vantagem! Um touro é mais forte que um homem! Pode realmente arrastar navios até o porto!
A Princesa riu:
- Mas não foi só até o porto! Ele arrastou os navios até o castelo! As embarcações fizeram sulcos na terra que se encheram da água do mar e transformaram-se em rios! Ah... e os navios foram desmontados! Suas madeiras ajudaram a construir várias casas do reino!
O irmão do meio também baixou a cabeça. Os dois derrotados voltaram para casa. E ai foi a vez do caçula. Ele partiu para o palácio e se apresentou ao Rei. Disse que realizaria a tarefa, mas não ali na sala do trono. Queria encontrar a Princesa no estábulo e pediu ao Rei e sua corte para ficarem escondidos e ouvir tudo. E assim foi feito. O Monarca arrumou um jeito de mandar a filha ao estábulo. Ele e sua corte ficaram escondidos para ouvir tudo. E o caçula apareceu na frente da Princesa que estava cuidando de um touro enorme.
- Bom dia, bela Princesa!
- Bom dia! - respondeu a jovem.
- Que touro mais pequenino! Acho que nuca vi um touro assim tão pequeno!
A Princesa ficou espantada. O touro era enorme. Mas a moça disfarçou e foi dizendo:
- É verdade! Ainda mais comparado com uma vaca que eu tenho!
- Ela é grande? - perguntou o rapaz.
         - Enorme! - respondeu a bela – Tão grande que todo dia enche de leite quatro tonéis que são maiores que o palácio do Rei! 
E o rapaz falou:
- Ah... então é isso!!
- Isso o quê? - quis saber a jovem.
E o rapaz continuou explicando. Falava sem parar nem para respirar:
            - Eu encontrei um desses tonéis, mas como não sabia o que tinha dentro, fui ver e cai no leite! Quase me afoguei! Fui salvo pelo vento Norte que soprou seu ar quente e fez o leite ferver! Fui subindo com o vapor até chegar numa nuvem. Fiquei por lá um tempo. Até que o vento veio de novo. Ele não gostou de me ver lá, porque aquela nuvem era a cama dele. O vento precisa descansar, não é? Ele me botou pra correr! Fui pulando de estrela em estrela até que cheguei na lua. Estava com uma fome louca! Mas como a lua é feita de queijo pude me alimentar. Já estava chateado de comer tanto queijo quando passou um cometa. Agarrei no rabo do cometa e fui guiando ele até ficar justinho em cima do tonel de leite! Larguei a cauda do astro celeste e achei que ia cair no leite e me salvar. Mas o vento Norte, que estava dormindo e roncando, bufou justamente quando eu ia passando por sua nuvem! Desviou meu caminho, né? Aí eu fui cair num buraco de um casal de raposas. Mas eu fiquei feliz porque as raposas eram o seu pai, o Rei, junto com sua mãe, a Rainha! E eu ainda dei mais sorte: todo mundo sabe que o seu pai não toma banho, não é? E imagina que caiu uma semente de figo na cabeça dele e cresceu uma figueira. E estava uma beleza! Cheio de frutos! Foi muito bom porque a minha viagem foi longa e eu estava de novo com fome. Foi só colher os frutos para comer e depois...
O rapaz não pode continuar. Furiosa a bela Princesa gritou:
- Meu pai toma banho todo dia e nunca cresceu figo na cabeça dele!
O Rei e a corte saíram do esconderijo na maior festa. O rapaz venceu! O caçula dos irmãos ganhou a metade do reino e a mão da Princesa que desse dia em diante nunca mais mentiu.

Adaptação de Augusto Pessôa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Copyright (C) Modelo de Estrutura 2015.1 I TECNOLOGIA BLOGGER I DESIGN POR DESIGNING DREAMS. ENCOMENDAS DESIGNING DREAMS.