15 outubro 2015

Quando o primário era o fundamental

QUANDO O PRIMÁRIO ERA O FUNDAMENTAL
(Uma crônica fora do estilo, para adultos).



Hoje rebatizaram o curso primário e ginasial de ensino fundamental.
Rebatizaram e esqueceram de melhorar o nível de ensino, de construir mais escolas, de pagar melhor pelo trabalho dos professores, de acabar com o analfabetismo.
Uma lástima, um atraso, um arraso para um país continental como o Brasil.
Sem a boa escola, não temos a consciência do cidadão e, sem a consciência do cidadão, não temos o exercício da cidadania.
Que iria permitir a cobrança de seriedade e competência aos nossos dirigentes, a participação efetiva na discussão dos problemas básicos da população e a abertura para um futuro melhor e mais seguro. Para nós e nossos filhos.
Os leitores que me desculpem o aparente desencanto.
Mas não é desânimo ou desencanto, não.
Apenas é um momento de reflexão, com licença e participação do leitor, para um exercício de memória.
Vamos buscar nossos primeiros anos de escola?
Alguns, como eu, temos que ir até nossos antigos grupos escolares, onde o trabalho, carinhoso e competente, de inesquecíveis professores, nos davam as bases para tudo o que fomos e seremos. Outros passaram por boas escolas particulares, onde o ensino também (ainda) era primoroso.
Mas a escola pública reinava, soberana e respeitada.
Complementava, com a maior competência, a educação iniciada pelos pais, pela família.
Mas em algum ponto da história, a situação mudou. Pra pior. A escola brasileira foi envolvida por uma série de experimentações, mudanças de metodologia, planos que deram no que deram: a decadência do ensino. Em todos os níveis, tanto nas escolas públicas quanto nas privadas.
E o que se viu foi a continuação da chaga do analfabetismo, acrescido do despreparo dos professores, do ensino insatisfatório, da falta de vagas nas escolas, da evasão, e como conseqüência, a miséria, a violência, a desesperança.
Felizmente há exceções aqui ou ali. Uma ou outra escola resiste e luta contra a corrente, geralmente às custas do esforço de professores ou especialistas em educação, que não aceitam esse estado de coisas.
E temos um ministro da educação, hoje, que, meio perdido ou solitário, no meio do vendaval político-econômico, tenta, e às vezes consegue, erguer algum tipo de barreira contra a maré da ignorância e da incompetência. Mas a força da destruição da escola brasileira foi tão grande, durou tanto tempo, que, se começarmos a acertar agora, toda uma geração ainda será sacrificada.
Com prejuízos incalculáveis para o país.
Mas vamos pensar juntos, unirmo-nos, planejar, buscar, pensar na recondução da escola ao seu lugar de direito e respeito.
Tem que ser possível…
Ou não teremos uma nação para deixar aos nossos filhos e netos.

Mauricio de Sousa

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